📐 Metodologia PollAudit BR

Como auditamos as pesquisas e como chegamos no número — verificável, honesto, sem bola de cristal.

📅 Última atualização do método: 30 de maio de 2026

Princípio. O PollAudit não tem lado. Removemos vieses dos dois candidatos com o mesmo rigor, seguimos o dado — não preferências — e quando o dado não permite cravar, dizemos que não permite. Esta página existe pra você poder conferir cada passo.
Por que o número mudou recentemente. Em maio de 2026 passamos o modelo por uma revisão grande para deixá-lo neutro: trocamos a base pela fonte oficial do TSE, removemos vieses dos dois lados, trocamos o fundamento (aprovação no lugar da Bolsa) e incluímos a rejeição. Se você viu o número se mexer, foi isto — correção rumo à neutralidade, não instabilidade. O changelog no fim lista o que mudou.
Índice
  1. De onde vêm os dados
  2. Vetagem da base (TSE como autoridade)
  3. Correções de viés aplicadas
  4. O fundamento: por que aprovação, não a Bolsa
  5. Rejeição e abstenção
  6. Por que é um empate
  7. A ciência do "ainda é cedo"
  8. Indicadores de auditoria
  9. O que NÃO fazemos
  10. Limites honestos
  11. As equações, na íntegra
  12. Changelog (transparência)

1. De onde vêm os dados

Nossa fonte primária é o registro oficial de pesquisas do TSE (dados abertos, licença Creative Commons). Toda pesquisa eleitoral no Brasil é obrigada a se registrar na Justiça Eleitoral, com número de protocolo, metodologia, plano amostral, tamanho da amostra, CNPJ do instituto e quem pagou.

2. Vetagem da base

Só entram pesquisas de institutos efetivamente registrados no TSE. Cruzamos nossa base com o registro oficial e removemos o que não bate.

Exemplo real. Um rótulo que aparecia muito na nossa coleta não correspondia a nenhum instituto registrado — era o nome de uma empresa de mídia que pagava pesquisas, não de quem as fazia. Foi excluído. Amostras com tamanho ausente ou implausível também saem.

3. Correções de viés aplicadas

Cada instituto tende a um lado (house effect). Medimos e corrigimos — validando contra a urna real de 2022.

CorreçãoO que fazValidação
House effectTira o viés histórico de cada instituto (~3pp)OK iterativo
FavoritoAjuste de 1pp para o líderOK urna 2022
−3pp favoritoTestado e reprovado (superajustava)REPROVADO
Transparência. O ajuste de favorito começou em 3pp e foi cortado para 1pp porque, testado contra a urna de 2022, o 3pp invertia o resultado. Mantemos só o que valida. Atualização (jun/2026): esse desconto fixo foi substituído por um encolhimento proporcional da margem, calibrado pela ciência do tempo até a eleição — ver seção 7.

4. O fundamento: aprovação, não a Bolsa

Para projetar o cenário do dia da eleição usamos a aprovação do governo — o preditor consagrado de voto de incumbente — e não a Bolsa de Valores.

Por quê. Um modelo baseado na Bolsa até "passava" no teste estatístico, mas era instável: previa 56% com uma janela de tempo e 48% com outra — mesma conta, respostas opostas. Trocamos pelo sinal teoricamente correto. A aprovação, por sua vez, não passa num teste rígido (ver limites), então entra com peso baixo e banda larga — só para não distorcer, nunca como número cravado.

5. Rejeição e abstenção

Rejeição (quem não votaria "de jeito nenhum") entra de forma simétrica para os dois candidatos e só no cenário futuro — nunca na foto de hoje, para não contar o mesmo efeito duas vezes. Abstenção regional (padrão TSE 2022) tem efeito desprezível e é incluída por completude.

6. Por que é um empate

Não é indecisão nossa: os próprios institutos discordam muito além do que o tamanho das amostras explicaria.

O dado: a dispersão entre as pesquisas é 2,4× maior que a esperada por puro acaso amostral. O 2º turno Lula × Flávio varia de 46% a 56% entre institutos. Por isso nossa banda de incerteza é larga — e honesta.

Conclusão: empate técnico. Hoje é cara-ou-coroa. Quem afirmar que sabe quem ganha está chutando ou vendendo algo.

7. A ciência do "ainda é cedo"

Pesquisa feita meses antes do voto não é uma fotografia do resultado — é o retrato de um eleitorado que ainda vai mudar de ideia. Décadas de literatura medem exatamente isso:

EstudoO que mostra
Erikson & Wlezien
EUA, séries 1952–2008
A relação entre a margem da pesquisa e o voto final sobe de ~0,4 (a 200 dias) para ~0,8 (na véspera). Longe da eleição, a pesquisa exagera a vantagem do líder.
Jennings & Wlezien
Nature Human Behaviour, 2018 · 45 países
O erro médio de pesquisas presidenciais cai de ~6pp (a 200 dias) para ~2pp (na véspera). A incerteza encolhe com o calendário.
Gelman & King
"Why are campaigns so predictable…"
O "erro" das pesquisas distantes é majoritariamente indecisão e cristalização tardia do voto — ruído, não um viés fixo de direção.
538 · The Economist (Linzer)Modelos sérios misturam pesquisa com fundamentos e dão mais peso aos fundamentos quanto mais distante a eleição; a incerteza cresce com a raiz do tempo restante.
No Brasil, em 2022, foi igual. A ~300 dias do 2º turno a margem de Lula nas pesquisas chegava a ~+24pp; a ~140 dias, ~+10pp; na urna, +1,8pp (50,9 × 49,1). A vantagem encolheu conforme a eleição se aproximou — exatamente o padrão da literatura.

O que fazemos com isso (modelo v3):

Por que a probabilidade não é 90% para quem lidera. Com a incerteza de hoje (banda de ~±9pp na margem), uma vantagem de 1–2pp nas pesquisas simplesmente não distingue um vencedor. Quem vende "fulano tem 85% de chance" em junho está ignorando como pesquisa de meio de ano se comporta.

8. Indicadores de auditoria

É aqui que o PollAudit se diferencia de um simples agregador:

9. O que NÃO fazemos

10. Limites honestos

O teto que nenhum dado resolve. O Brasil só teve cerca de 5 eleições presidenciais com 2º turno de incumbente. Isso limita para sempre qualquer modelo de "fundamentos" — não é falha do PollAudit, é a realidade dos dados. Por isso projetamos um cenário com faixa de incerteza, e não um número exato. Desconfie de quem promete precisão que os dados não permitem.

11. As equações, na íntegra

Tudo que está escrito acima em português vira conta em algum ponto. Estas são as contas — variáveis, fórmulas, os cenários que testamos e o resultado de rodá-las contra a urna de 2022. Elas vêm do servidor, do mesmo lugar que alimenta a projeção; não são uma transcrição feita à mão que possa envelhecer em silêncio.

Equações indisponíveis. Se este aviso continuar aqui, o servidor não devolveu as equações — e preferimos dizer isso a mostrar uma versão decorada que talvez já não seja a que está rodando.

12. Changelog (transparência)

Mudanças recentes no método — para você acompanhar a evolução e entender qualquer oscilação no número:

DataMudança
17/jun/2026Modelo v3: desconto fixo de viés trocado por encolhimento proporcional da margem (calibrado por Erikson-Wlezien / Jennings-Wlezien); peso dos fundamentos passa a cair com a proximidade da eleição; incerteza cresce com a distância — probabilidade mais perto de 50/50 quando ainda falta muito. Aliases de institutos unificados (Apex/Futura, Real Time, Vox)
30/mai/2026Base reconciliada com o registro oficial do TSE; institutos não-registrados removidos
30/mai/2026Indicadores de dispersão/herding e teto/headroom adicionados (auditoria)
29/mai/2026Fundamento trocado de Ibovespa para aprovação do governo (sinal mais estável e teoricamente correto)
29/mai/2026Rejeição incluída de forma simétrica, apenas no cenário futuro
29/mai/2026Correção de favorito recalibrada de 3pp para 1pp (o 3pp foi reprovado contra a urna de 2022)
29/mai/2026Fontes de notícia diversificadas
A partir daqui: o método segue a calibração v3 (jun/2026), fundamentada na literatura de convergência de pesquisas. Mudanças futuras só com validação e serão registradas aqui.